Poemas participantes da enquete ( Em teste )

25 de julho de 2017

Casa da Minha infância

Tinha um pé de jabuticaba atrás da casa de Lady Laura, tinha laranjeira também.
Tinha galinheiro, curral e chiqueiro. Tinha uma árvore com uma corda e um pneu que fazia a gente brigar pela vez.
Sinto o cheiro da galinhada que ela fazia na panela de ferro, no mesmo fogão a lenha que a gente cobria de pinhão nos dias mais frios...
A cozinha de Lady Laura era quente e acolhedora. Tinha amor nas panelas.
Na salinha antes do corredor tinham muitos, muitos livros e uma vitrola, sobre a qual eu me debruçava para ver girar o vinil, enquanto tocava Rocket Man. Era Elton John que eu escutava sem parar, tentando adivinhar o que dizia a letra.
Ali eu ficava por horas, ouvindo discos que eram dos meus tios, acho que daí vem o meu gosto musical e pela leitura.
Era uma casa grande, e tinha corredores que pareciam labirintos, onde eu me escondia e brincava.
Tinha uma varanda alta que eu e Aiko, fazíamos de palco. Aiko é uma prima, que passava férias por lá.
Da varanda dava pra ver estrada que me levava pra escola. O caminho era longo e eu nem sabia o quanto, porque meu olhar não alcançava além do morro, por mais que eu ficasse na pontinha dos pés.
Voltei à casa de minha avó depois de mais de 30 anos, e é uma casa menor que aquela que tenho na memória.
Ainda tem as árvores no quintal e a jabuticabeira esta carregada, o balanço provoca agora, risos em outras crianças...
Nos corredores encontrei alguns sonhos perdidos e uma saudade que dói.
Não tem mais a vitrola. Nem os livros.
A varanda não é mais um palco e meu olhar desde lá, ainda encontra o morro que me impedia de ver toda a estrada, mesmo que eu ainda fique na ponta dos pés.
A casa da minha infância não tem mais alma. É só um porão de lembranças.

18 de junho de 2015

É...Ninguém é Perfeito




Hoje li um texto com o qual me identifiquei muito. 
Acabei descobrindo que sofro de uma perturbação neurológica ainda sem nome científico oficial. Mas bem conhecida por " patetice ". 
Martha troca nomes próprios além de palavras corriqueiras, banais. Já eu, tenho atitudes que até eu duvido. 
Já me meti em cada situação... na hora quero cavar um buraco e me enterrar.

Das piores patetices:
Só dirijo descalço, portanto entro no carro e tiro logo os sapatos. Uma vez fiz o contrário: abri a porta sentei e tirei os sapatos ainda no lado de fora. Deixei eles ali e fui embora. Quando cheguei em casa me dei conta do acontecido e voltei pra buscar.

Fui parada numa blitz e me pediram a habilitação, eu entreguei meu RG. Fiquei olhando pro guarda que também ficou me olhando incrédulo e paciente e eu olhando pra ele e pensando porque ele tava demorando pra me devolver os meus documentos.

Resolvi ir de carro à uma loja bem pertinho da minha casa. Estacionei comprei o que precisava e voltei pra casa. Andando. Mas o pior é que só lembrei do carro umas duas ou três horas depois, quando ia voltar ao trabalho. Fiquei apavorada quando não encontrei o carro na garagem. Pensei que tivesse sido roubada. Mas logo lembrei onde o havia deixado.


Outra vez foi na hora de assinar um documento. A pessoa que estava comigo no cartório me disse: "Não vai errar". Não aguentei a pressão. Assinei no lugar certo. Só esqueci que deveria assinar meu nome e não o nome do agourento que estava ao meu lado.
Sem contar as vezes que tentei entrar em carros que não me esperavam.
Meu irmão parado em frente a farmácia me esperando e quando saí da farmácia entrei em outro carro, com outra família dentro.

Ah...tem também episódios de elevador que são os meus favoritos. 
Como da vez que decidi que o senhor que estava no elevador desceria em outro andar que não era o dele. Ainda segurei a porta aberta e disse, insistentemente, que ele já podia descer que era aquele o seu andar (quase o convenci )

Tem mais um... 
Quando cheguei no corredor, a porta do elevador já estava aberta e percebi um desnível no piso, mas entrei do mesmo jeito. Foi quando ouvi uma voz grossa e abafada, vinda não sabia de onde dizendo: " vai pela escada ".
Quase morri de susto. Procurei por todos os cantos até perceber que a voz vinha de cima do elevador e não do além.

Já consegui me trancar em casa atrás de várias portas. Nem lembro quantas, oito ou nove....sei lá. E depois tranquei todas as chaves dentro de um guarda roupa e me tranquei em outro quarto e dormi. No outro dia quando girei a chave na fechadura do quarto, consegui quebrar a bendita chave. Daí estava eu e minha filha trancadas em um quarto e com todas as outras portas e grades que davam acesso a este quarto tbem bem trancadas. Eram 6:30 da manhã quando chegou o chaveiro para arrombar as portas. Me senti uma princesa sendo resgatada kkkkkk
E a última história e também a mais antiga que me lembro:
Era véspera de Natal e eu não tinha comprado nada. Fui de metrô até o centro de Nagoya, era meu primeiro natal fora de casa e no Japão. Estava bem frio e eu estava usando uma jaqueta de couro cheia de zíper ( um look roqueiro com muito metal) Na volta do shopping eu estava cheia de sacolas e o metrô lotado. Fiz todo o trajeto em pé na frente de uma japonesa de cabelos cacheados e volumosos, bem sentadinha na minha frente. O metrô parou e quando eu ia sair, percebi que o cabelo da japonesa ia sair comigo. Tava preso nas minhas pulseiras ou jaqueta sei lá. .. e não era cabelo. Era peruca ...

É .... ninguém é perfeito.

A Corrida de Todo Dia











Em um determinado ponto, a vida da gente se torna uma corrida com obstáculos. Então corremos concentrados, dando o máximo de nós, para que possamos saltar o próximo obstáculo, sem grandes tropeços que acabem por nos levar ao chão.
Em determinado ponto tudo se torna meio mecânico. Deixamos de lado a poesia, a brincadeira... Sonhos são substituídos por metas. E vamos seguindo na luta acirrada do dia a dia.
Daí... esquecemos da beleza e do milagre da vida, e às vezes até nos esquecemos de agradecer por isso.
Vamos correr que o tempo urge, mas vamos com os olhos da alma bem abertos para que não nos passe despercebido nenhuma beleza desse mundo!

Monólogo

Monólogo

No casamento, quando entra-se na fase do monólogo, pouca coisa poderá ser salvo.

Utopia


Queria mesmo era viver no mundo da lua, sem asfaltos nem concretos, sem fumaça nem barulho, sem trânsito nem semáforos, o único verde que existiria por lá seria o verde dos meus olhos procurando os teus pra fitar. Queria viver por lá... sem sustos nem surtos; sem ponteiros pra me dominar.

Queria poder viver em cima das nuvens pra sentir sua macies sob meus pés (acho que a nuvens são frias e macias). E de nuvem em nuvem iria onde eu quisesse, iria ao Japão ou Minas Gerais, tanto faz... Mas iria sem pressa de chegar nem dia pra voltar. Se vivesse por lá, brincaria de moldar sentimentos... Não deixaria ninguém se machucar.

Talvez quem sabe, viver no mundo do Pequeno Príncipe, aquele do livro. Mas seu mundo é muito pequenino, visto de fora, mal cabe ele e um jardinzinho com uma rosa que me pareceu meio cruel...E de crueldade quero distância.

Poderia viver também no futuro, onde nada foi escrito nem nada foi quebrado, Será que seria mesmo seguro? Lá nada ainda foi desenhado.

Pior seria viver no passado, presa, algemada ao que não pode ser mudado.

E se vivesse no espaço? Não. Definitivamente não. Lá me parece muito frio, escuro, sombrio e solitário... O único espaço que quero é do teu abraço.

Quem sabe se pudesse viver no teu coração... ahhh não, não... lá parece meio apertado. Também não quero viver de lado e nem do lado de fora.

Poderia viver nas entrelinhas de uma poesia, mas também não quero... Nem todos lêem entrelinhas, então ficaria eu lá, perdidinha, sem vida... simplesmente ignorada... nem mesmo esquecida.

Acho que por enquanto vou viver por aqui mesmo, pois daqui ainda posso admirar a lua, poderemos fazer companhia uma à outra enquanto caminho pela rua.
Daqui também posso ver a mutação nas formas das nuvens, posso fechar os olhos e sentir sua macies, deitar e rolar imaginando-me lá; está certo que não posso moldar sentimentos, mas posso sorrir e diminuir algumas dores (sorrisos são analgésicos poderosíssimos).
Ignorando minha impaciência e imediatismo, chegarei ao futuro... e dependerá de mim a forma dos desenhos que haverão por lá.
E o espaço... Este fica para os dias que eu me cansar de tudo, aí poderei mandar tudo pra lá, pro espaço

Lamento



Quando nossos silêncios
Se encontram, se encaixam
Pesam as nuvens
Perco as forças
E me banho
No rio que cai do céu
Lamento em forma de chuva
Desentranhamento de dor

Palavras



Palavras dançam desconexas em minha mente
Riem-se por si só...
Feito criança teimosa descontente.
Desencontram-se sem rimar
FÁ, SOL, LÁ, SI, DÓ
Ai que dor!
Não há o que as faça parar.
Nem mal de amor...
Nem dor de amar.
Palavras soltas pululam
Sem rumo menina.
Sem rima...
Vão e vem na contra mão de um poema
Correm leves, alegres, inquietas.
Fugindo risonhas, da pena
Procuram a mão de um poeta.
Em meus olhos flutuam, suaves e pequeninas
Vestidas de emoção.
Deslizam em semi versos
Buscando pela tal inspiração.

22 de maio de 2015

Sobre Fotografias


Sou uma apaixonada por fotografia. Apesar de ser amante da arte, ainda não consegui estudar de verdade. 
Gosto mesmo é de fotografar gente em cenas comuns. Gente na rua, na feira, no ônibus, na praça. Gente rindo, desconfiada, gente comum fazendo o comum, o de sempre.
Com a chegada da fotografia digital, apesar da facilidade e frequência do registro de imagem, a foto impressa ficou rara. Quase ninguém  revela foto. Vai tudo para o HD, e se lembrar, vai também para uma nuvem de armazenamento que vai acabar sendo esquecida depois. 

Hoje a foto tem um objetivo, uma função, meio diferente daquela que tinha no passado. A foto de antes, tinha como papel principal ser guardada como lembrança,  para mostrar para a família no domingo à tarde, depois do almoço e antes do lanche das 5 horas. As crianças espalhadas pelo tapete e adultos no sofá. A foto ia passando de mão em mão. "Deixa eu ver", "vai passando pra mim"... e aí recordações e histórias  vinham à tona, e a gente ria ou chorava, ou escondia a foto para evitar alguma revelação escabrosa, para não virar a piada do dia. Como era bom isso...ou simplesmente quando a saudade apertasse a gente abria a caixinha de sapatos e mergulhava em meio aos momentos felizes congelados na imagem. 
Hoje o principal motivo da foto é postar no Instagram ou FB, que atire a primeira pedra quem puder.
Outro dia, enquanto remexia uma pilha de livros, encontrei no meio de um deles uma foto antiga, amarelada pela ação do tempo. Na foto estamos eu, meus irmãos e vários primos sentados no chão um ao lado do outro, e atrás de nós, minha tia, meu avô e minha avó sentados no sofá exatamente nesta ordem da esquerda para a direita. Orgulhosos por terem os netos ao redor. Nós, crianças na foto, tínhamos entre sete e doze anos. 
É uma foto comum, dessas de família, sem produção, sem photoshop, 
A geração de crianças da foto é hoje a geração adulta da família e os adultos já se foram. 
Quando encontrei a foto, todo aquele dia me veio à cabeça. Chorei. Recolhi as lembranças, e guardei a foto na caixa de sapato que é de fotografia.

 sem retoque. Alguns de nós despenteados ( acho que todos ), com exceção da minha avó que estava sempre arrumada.

Máquinas



A máquina de ressonância magnética é  assustadora apenas por ser o que é. E os sons que ela  emite !? São ameaçadores... e quando a pessoa responsável em te acomodar orienta o uso de protetor auricular te apavora ainda mais, pelo menos comigo foi assim.
No geral,  esses exames são incômodos e assustadores, mas essa máquina é de longe a pior.


 
Já deitada, imaginei que as dezenas de leds coloridos no teto da sala, imitando um céu estrelado, seriam para criar uma atmosfera mais acolhedora, o que me fez deduzir que o exame seria quase uma tortura. E foi.
Primeiro os sons  pareciam  de uma britadeira em atividade na velocidade média, e pensei que para ficar pior a britadeira passaria para a velocidade máxima. Mas não foi bem isso que aconteceu, o barulho seguinte conseguia ser ainda pior ao da britadeira dentro da minha cabeça. Parecia o barulho de uma máquina de lavar roupas, que apesar de ser um barulho familiar, também assusta pois é você que está dentro da máquina de lavar. Teu pensamento é jogado de um lado para o outro na mesma velocidade e ritmo dos sons assustadores, e oscilam entre o medo,o pessimismo e a impotência, que te acomete diante dos possíveis diagnósticos que virão.


Depois de ter experimentado a sensação de estar dentro da máquina de lavar roupas; veio a cereja do bolo, a azeitona da empada; soou uma sirene que parecia com essas sirenes que a gente vê em filmes: sirene que avisa a chegada de um tsunami - aviso para evacuar o local, ou sirene de usina nucelar.

Pensei em  me mexer, retirar o protetor auricular, mas o rapaz do outro lado do vidro, leu meus pensamentos, e fez um gesto proibindo a ação que eu secretamente planejava.
Enfim termina o exame, meu carrasco  entra na sala, e eu toda faceirinha já ia me levantar quando ele me diz: " Não acabou não. Só vim reiniciar a máquina. Teve uma queda de energia e teremos que repetir o exame". Lá vamos nós... para mais uma  sessão de pensamentos confusos, e assustados.Exames em máquinas  deveriam ser silenciosos, rápidos e confortáveis, pois em alguns momentos dá vontade de desistir e dizer para o médico: Opera! Mete a faca! Descobre ao vivo.

21 de abril de 2015

Entre


Não gosto
De portas entreabertas
Janelas Semicerradas
Meias verdades
Pouca vontade
Copo meio cheio
Não gosto
De sonhos adormecidos
Frases incompletas
Poemas inacabados
Coisas pela metade
Se vais entrar, entre e bata a porta.Não fique do lado de fora a espiar.


8 de fevereiro de 2015

Estado de Mim

Estado de Mim

Encontro-me ácida
ou cítrica, cínica, sarcástica.
Encontro-me louca
Presa num silêncio sibilante
um barulho surdo
pungente / pulsante
meio resto, meio nada.
Encontro-me assim,
Insana e envenenada
pela saliva trocada
na boca molhada
E para justificar tanta loucura
Escrevo versos imundos
pedaços arrancados de
linhas de uma história
mal contada sem fim
sem meio, sem nada.

Se Eu Disser...






 Se Eu Disser...


E se eu disser que sinto saudade do teu riso escrachado ecoando em meus ouvidos, você ri comigo outra vez?
E se eu disser que me pego imaginando
a tua voz rouca falando ao meu ouvido, você fala comigo?
E se eu disser que sinto a tua respiração na minha pele...você gosta?
Se eu disser que as coisas perderam a graça
desde que você se foi, você volta?
E se eu eu disser que tudo o que eu queria hoje,
era ouvir tua voz chamando meu nome, você vem?
E se eu  disser que acordo no meio da noite
pra pensar em nós dois, isso faz diferença pra você?
Se eu disser que preciso saber de você, você me encontra?
E se eu disser que vou escrever um poema para dizer que te quero, você lê?
E se eu eu disser que entro na fila, compro o bilhete e pago, 
pra ver esse amor de cinema, você arrisca comigo?
E se eu disser sem meios termos, sem meias verdades,
sem meias palavras que te amo, você diz  "eu também"?



Se Assim For...

Se Assim For...




Se for poesia,
Juro invadir os teus versos
Rimando o secreto, os risos e as lágrimas

Se for rio,
Tuas correntezas serão minha maior aventura,
Teu leito calmo, um mergulho ao recanto dos teus mistérios

Se for noite,
Nos teus sonhos estarei
Diminuindo as horas, o espaço e a saudade

Quando enfim se tornar amanhecer,
Voarei pelo teu céu azul, serei nuvem de formas suaves
E um vento leve que brinca com os cabelos sobre teu rosto

Seja o que quiser, desde que sempre poesia,
Nos meus sonhos, a pintura, a música das minhas memórias,
Mas nunca deixe de ser arte, beleza e encanto!


Jefferson Lima e eu

A Certeza de Belos Poemas




Se alguns grandes amores não deram certo, no mínimo deixaram a inspiração para um belo poema!!!

Tempo Que Míngua

Tempo Que Míngua


Estava sentada sozinha, no canto da sorveteria esperando alguém que já estava atrasado e ainda demoraria alguns...mais meia hora para chegar.

Gosto de estar sozinha, não de ficar esperando, mas de ficar sozinha.
Meus pensamentos transitam livres em mão dupla, vão e vem sem compromissos ou necessidade de explicações (porquê tem coisas que não se explica). Engraçado, mas para mim estar sozinha não é problema, nem nunca foi. Ficar só, é prazeroso e fundamental.

Fiquei por ali, vendo o entra e sai das pessoas, algumas com seus filhotes recém saídos das salas de aula, ainda suados e em comemoração por ser fim de tarde, agitados correndo e gritando, pulando e caindo, e a mãe implorando inutilmente para que se comportassem.
Fiquei por ali vendo e lembrando como é gostosa essa fase, lembrando de quando era eu a gritar e correr e minha mãe olhando de canto de olho ( olhar já gritando), lembrei de quando os papéis de inverteram, e era eu a revirar os olhos na esperança de que minha amada filha, captasse a mensagem "STOP THAT ".

Tanto olhei que de repente uma das crianças parou na minha frente me olhou nos olhos,  tive a sensação que ela estava me lendo, fiquei envergonhada. Alguém poderia achar que sou uma maluca ou, pior ainda, uma criminosa dessas que sequestram criancinhas recém saídas da escola.

Sacudi o cabelo, ajeitei minha bolsa, olhei o celular, me livrei dessa lembrança pueril, mas continuei ali sentada dando corda ao pensamento (como se precisasse ).
Lembrei da minha filha quando bebê, quando eu não a deixava aprender andar por ter medo de não conseguir protegê-la de uma queda terrível, que sempre acontecia na minha cabeça de mãe inexperiente e super protetora.
Fui desfiando um rosário de lembranças, a formatura da Alfabetização, a primeira janelinha - dá pra entender o porquê, da felicidade de alguém que perde um dente? Só uma criança consegue  sentir a felicidade na forma mais pura, a felicidade sem culpa e sem medo. A felicidade pela felicidade.
O fim a quarta série foi para ela como uma promoção à "presidente da empresa", não se cansava de me dizer:  " mãe, já estou na quinta".

E o tempo vai passando, correndo, voando, minguando, sumindo, diminuindo... sendo menos, cada vez menos....tempo.
Antigamente os dias eram feitos de looongas 24 horas, mas de uns tempos pra cá, eles tem vinte e quatro horas curtas. Alguém diminuiu o tamanho das horas e não avisou. Algum ladrão de tempo, será?

Minha amiga já estava mais de 40 minutos atrasada, a essa altura eu já não me importava mais se ela viria ou não ( melhor que não viesse ).
Me deixei levar...lembrar... sonhar... sentir saudades... essas coisas de gente que sonha acordada.

À Toa

À TOA



To à toa
De perna pro ar
Com tempo de sobra
Relógio sem hora
que faz o tempo congelar
Estou transbordando pensamentos
que passeiam sem pressa
e sem  destino, sem lugar, sem porto para atracar
Quero permanecer assim
inerte, inerme, imóvel dentro de mim
contando grãos de areia
adormecendo com o marulho do mar
e despertando sem rumo, sem rima...
quero estar assim,
sem me revelar
sem me rebelar
Quero estar à toa.
De pernas pro ar
Fazer um pacto com o tempo,
para ele não passar.

Casulo

Casulo




Não há mais borboletas
Entregaram-se todas à metamorfose de volta
Ao caminho inverso
Viraram lagartas,
casulos banhados em água de olhos
Em simples gesto de dor
E viradas casulos, enclausuradas
No âmbito do isolamento.
Em regresso voluntário e extremo,
Borboletas viradas casulos
Fizeram caminho contrário no tempo
Opção, desgosto, tormento! 





Marcela Torres e eu

Última Chamada

Última Chamada




São duas, as coisas relacionadas a voos, que fazem meu pensamento viajar de uma maneira não muito agradável, bem antes da última chamada.

Primeiro: Quando no momento do check-in a atendente da empresa aérea pede um número de telefone para contato: "Telefone para contato em caso de emergência?"  (em caso de queda ou morte súbita, né? Que outra emergência não poderia esperar? ).

Segundo - Quando a comissária de bordo repassa as instruções de emergência: "Blá...blá...blá..., máscaras de oxigênio cairão a sua frente, blá...blá...blá, em caso de pouso na água use seu assento, ele é flutuante", (deveria mesmo era me ensinar como tirar o assento do lugar; pois eu já tentei e não consegui). Acho essas informações pouco úteis, pois nunca ouvi dizer que alguém sobreviveu a queda do avião por ter usado o assento flutuante, mas digamos que talvez o uso do assento flutuante funcione mesmo, ótimo.  Mas... e se cair no seco? Não há instruções sobre isso?

Ah, outra coisa que me aflige é quando  alguém insiste em usar aparelhos eletrônicos, mesmo depois de ouvir a ordem para desligar aparelhos. Uma vez pedi para meu vizinho de poltrona que fizesse a gentileza de desligar o celular, pois aquilo estava colocando não só a vida dele em risco, mas a minha também,  e ele pareceu se divertir com meu pedido ou com a minha cara de pavor, imagino.
Bem, para falar a verdade, são bem mais que duas, as coisas que me aterrorizam durante os voos.

E sempre, mas sempre, que me sento na poltrona ao lado da janelinha e assim consigo ver as turbinas, lembro de um livro que li ainda criança. No livro, o avião tem problemas durante o voo, porquê um monstrengo verde ficava agachado sobre a asa e se alimentava dos componentes das turbinas. Mas já é uma outra estória.

Há também algumas coisas que me irritam durante os voos, como por exemplo alguém roncando na poltrona ao lado. Nesse caso não há livro nem monstrinho verde que prenda minha atenção, o sujeito ronca e eu rosno, ele ronca e eu rosno, ele ronca e eu rosno, eu tusso, eu espirro, eu falo sozinha, tudo na tentativa de acordar o vizinho dorminhoco.

Apesar de tudo isso, continuo achando que como não nasci rica, deveria ter sido comissária de bordo, pois AMO viajar.

Poeminha dos Namorados




Poeminha dos Namorados



Ah como é bom namorar!
Sair por aí para  te encontrar
Ou ficar quieto e ver o amor pintar
cheio de impaciência e docilidade.
Que delicia é juntar um mais um e somar,
Explodir...namorar.
Brincar de esconde-esconde
no meio da tarde,  dentro do mar.
Ah como é bom esse coisa de namorar
Se derramar devagarinho, se traduzir para o outro
se emaranhar ao namorado  se completar.
Como é bom essa coisa de namorar.
Sem ensaio, sem anseio, sem rascunho
É só arriscar...rir...beijar
Na medida exata que é o colorido do olhar
O arrepiar da pele antes do desejo calar.
Hum... como é bom namorar!
Sair do chão com um beijo...Exorbitar.
Se perder do exato, sentir o pensamento borbulhar
Ah como é bom namorar,
Flutuar no olhar do outro.
Se encontrar e aportar no prazer do amado.
Ah como como é bom se apaixonar!

A Semana Inteira

A Semana Inteira



Meu amor vem me visitar.

Chega caladinho, gosta de me assustar.

Ele vem às segundas, pra me ver sorrir.

Às terças ele vem sem avisar,

sair da rotina, descontrair

Às quartas ele chega pra me fazer dormir

Me faz um cafuné, depois fechas as cortinas.

Nas quintas, chega de manhã cedinho,

me beija e me acorda com um carinho.

Meu amor chega assim de repente,

E me descobre inteira

Toda sexta - feira.

Ao sábados passamos o dia inteirinho

Aos domingos... ah meu amor não vá embora.

Quem sou eu

Gosto de escrever. Escrever para mim é uma necessidade, uma cura. Escrever é um ato de extrema entrega, é de dentro pra fora. Escrevo por urgência, escrevo por amor e com amor. Sou imediatista, intensa, e sonhadora! Defeitos? Tenho muitos, incontáveis talvez; melhor nem dizê-los.; Tenho uma alma sonhadora. Sonho, e como sonho...

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