Poemas participantes da enquete ( Em teste )

28 de outubro de 2013

É Muito Amor!!!


Toda viagem tem figurinha única. E essa não poderia ser diferente.

Já passava das 22:00, o ônibus estava  atrasado,  e eu apesar de cansada me mantinha alerta a tudo que acontecia ao meu redor. 
A essa altura já tinha uma noção das pessoas que viajariam no mesmo ônibus, pois estavam todos reclamando do atraso, exceto uma moça que parecia muito à vontade com seu namorado. "À vontade" talvez não seja bem o termo, o casal sentia-se de fato em casa. Era beijo pra cá, amasso pra lá, aperta aqui, esfrega um pouco, morde ali.... gemidinhos e risinhos não faltavam aos dois. Imaginei que se fossem viajar no mesmo ônibus teríamos cenas tórridas de amor durante a madrugada, e isso me deixou vermelha.

Já era quase 23:00, e o casal estava agora na minha frente. Ela era  loira, cabelo longos e cacheados, alta e não teria mais que 23 anos; ele deveria ter uns 25 anos imaginei. Também muito bonito, alto, moreno, olhos e cabelos negros, os dois combinavam e se amavam muito dada a demonstração física da coisa toda.

Enfim o ônibus chegou. Malas devidamente acomodadas no bagageiro, era a  nossa vez de nos acomodar. Durante  a entrada  no ônibus, o casal continuava a terapia intensiva de engolição mútua. Entrei, com os olhos percorri o número acima de cada poltrona, até encontrar a minha. Poltrona na janela. 
 O ônibus estava lotado o que significava que fatalmente eu teria um vizinho de poltrona. Como seriam quase  24 horas de viagem, rezei para que o vizinho não roncasse e  falasse pouco, ou nada. O que seria perfeito pra mim. 

Olhei pela janela e lá estava o casal, a moça chorando muito e ele a consolava de uma maneira que me comoveu. Pensei que nada no mundo deveria separar as pessoas que se amam. Que triste! Pensei.
A loirinha enfim largou o namorado gato - ele era lindo -  e entrou no ônibus, e  adivinhem onde a criatura sentou??? Era a minha vizinha de poltrona. Ela chorava compulsivamente quando se acomodou ao meu lado. 

Virei meu rosto para a janela e percebi que o ônibus já estava em movimento. Quando entramos na BR notei que havia um carro acompanhando o ônibus, então cutuquei a moça que já havia diminuído o fluxo de lágrimas e perguntei se era o namorado dela. E ERA. Por alguns minutos ele acompanhou o ônibus e aquilo já estava me deixando aflita, a moça fazendo coraçõezinhos no vidro e o carinha no carro lá embaixo mandando beijos (pelo menos ela havia parado de chorar).  Depois de explícita demonstração de amor, o carinha se foi e  ela ainda chorosa, deitou sua poltrona e choramingou a noite toda.

Na manhã seguinte quando paramos para o café, ela estava mais alegrinha... Bem alegrinha posso dizer. Nos apresentamos. Descobri que seu nome era Santinha.
Voltando para nossas poltronas,  não pude deixar de ouvir a conversa de Santinha com o namorado, pelo celular.
Ela falava da saudade, e que já não aguentava ficar longe dele. Pude perceber que ele já estava esperando pela chegada dela naquela noite, o que me levou a concluir e não entender por que ele teria ido  de avião e ela de ônibus.


Durante a outra metade da viagem Santinha se  mostrou muito apaixonada e logo todos no ônibus já sabiam que o namorado de Santinha já estava em Curitiba, pois a quase todo  momento se falavam por telefone.
Eu dormi quase todo o resto da viagem.

Já era quase meia noite quando chegamos em Curitiba. Mesmo antes que o ônibus estacionasse, Santinha já estava em pé procurando pelo namorado que já deveria estar a postos. Eu pensei:  Se ele não estiver aqui vai começar a choradeira.
Santinha em pé no corredor, já demonstrava pelo alvoroço que  a acometeu,  que o namorado a estava esperando. Eu não o tinha visto. Acho que o ônibus todo  procurou por ele.

Descemos enfim... e Santinha toda faceira correu de braços abertos para ... para quem??? Aquele não era seu namorado. Pelo menos não era o mesmo namorado que vimos na rodoviária de onde partimos. E agora estava ela ali...ou melhor, ela e ele, um outro "ele", e a mesma paixão que todos os passageiros testemunharam na noite anterior.
Enquanto aguardávamos o descarregamento das malas Santinha apresentava a mesma terapia intensiva de engolição mútua, com o outro "ele". 

Peguei minha mala, me encaminhei até a plataforma, passei por trás do outro "ele", e olhei para Santinha que rapidamente levou o dedo indicador aos lábios cerrados num gesto de silêncio. 
Santinha agora não chorava, Santinha sorria  sem culpa e com alegria.
O ônibus todo não conseguiu entender nada, o ônibus todo não conseguiu entender que Santinha tinha  muito amor para dar.





Um comentário:

  1. Deixa lá... também há homens assim!

    Beijos.

    Adorei a tua descrição!

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Gosto de escrever. Escrever para mim é uma necessidade, uma cura. Escrever é um ato de extrema entrega, é de dentro pra fora. Escrevo por urgência, escrevo por amor e com amor. Sou imediatista, intensa, e sonhadora! Defeitos? Tenho muitos, incontáveis talvez; melhor nem dizê-los.; Tenho uma alma sonhadora. Sonho, e como sonho...

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